Newcastle: MT não consegue suprir toda a demanda externa de frango de SC, avalia Imea

A possibilidade de Mato Grosso ganhar espaço no mercado internacional de carne de frango após as restrições comerciais impostas a Santa Catarina esbarra na diferença de escala entre os dois estados. Embora as exportações mato-grossenses estejam em alta, o setor não conseguiria absorver imediatamente todos os pedidos que deixassem de ser atendidos pelos catarinenses, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O tamanho dessa diferença aparece nos dados do primeiro semestre de 2026. Enquanto Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas de carne de frango, Mato Grosso exportou 56 mil toneladas, de uma produção de 224 mil toneladas. Ou seja, um quarto da carne de aves produzida no estado foi destinada ao exterior.
Para Felipe Andrade, que acompanha os setores de leite, aves e suínos no Imea, aumentar as vendas internacionais exigiria mudanças na destinação da produção. “Hoje, cerca de 25% do que produzimos é enviado ao mercado externo, então não seria viável substituir integralmente os volumes catarinenses no curto prazo”.
O desafio não é apenas produzir mais ou encontrar compradores. As empresas precisam ter condições de processamento e transporte, considerar os contratos já firmados e atender às exigências sanitárias de cada destino. Ao mesmo tempo, a produção mato-grossense continua abastecendo o mercado brasileiro.
Mercado externo impõe limites diferentes
A reação dos importadores ao foco de Newcastle em Santa Catarina não segue uma única regra. China, Chile e Arábia Saudita restringiram as compras de produtos avícolas provenientes do estado, enquanto o México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil.
Essa diferença de alcance interfere nas possibilidades de Mato Grosso aproveitar a demanda. O México, por exemplo, respondeu por apenas 1.437 toneladas dos embarques estaduais entre janeiro e setembro, o equivalente a 1,59% do total. A suspensão nacional, portanto, tem participação limitada nas vendas mato-grossenses, mas impede a continuidade dos negócios com esse destino enquanto a medida estiver em vigor.
Outros mercados têm peso maior na pauta estadual. A Arábia Saudita comprou 27,34 mil toneladas de carne de frango de Mato Grosso nos nove primeiros meses do ano. Hong Kong e China somaram 10,77 mil toneladas, enquanto os Emirados Árabes Unidos receberam 10,37 mil toneladas.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações mato-grossenses chegaram a 90,12 mil toneladas, crescimento de 24,42% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O avanço demonstra a ampliação dos embarques, mas não significa que todo esse volume possa ser aumentado ou redirecionado para atender aos compradores afetados pelas restrições. Como observa o Imea, a expansão depende também da capacidade operacional das agroindústrias e das habilitações sanitárias exigidas pelos países.
Ausência de casos não dispensa prevenção
Além das implicações comerciais, a ocorrência de Newcastle reforça a importância do monitoramento sanitário na avicultura. A doença viral é altamente contagiosa entre aves e pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e mortalidade.
Em Mato Grosso, o Indea coletou amostras em 84 granjas comerciais em 2026. Todas tiveram resultados negativos para a enfermidade, conforme informações divulgadas pelo órgão nesta semana.
Para o assessor técnico de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos Carvalho, a prevenção precisa ser mantida mesmo sem registros recentes no estado. “É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito”.
A orientação é notificar o serviço veterinário oficial diante de mortalidade acima do padrão ou de sinais respiratórios e neurológicos. Embora a Newcastle não represente risco significativo à saúde humana, a confirmação de focos pode resultar em restrições comerciais e prejuízos para a cadeia avícola.
Fonte: Canal Rural Mato Grosso (https://matogrosso.canalrural.com.br/aves-e-suinos/newcastle-mt-nao-consegue-suprir-toda-a-demanda-externa-de-frango-de-sc-avalia-imea/)
