Confinamento cresce 43% em MT, mas reposição mais cara limita avanço

O confinamento de bovinos deve crescer 43,41% em Mato Grosso neste ano, mas o encarecimento dos animais de reposição já limita o avanço da atividade. A projeção é de 1,33 milhão de cabeças, acima das 928,67 mil confinadas em 2025, mas abaixo da estimativa de 1,44 milhão feita pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em abril.
A revisão para baixo foi de 7,71% ante a previsão de abril e ocorre mesmo com a redução dos preços de importantes componentes da alimentação. O milho, por exemplo, está 13,86% mais barato que na média de 2025, enquanto o caroço de algodão caiu 24,18%, o DDG, 15,60%, e o farelo de soja, 2,47%.
“Apesar dessa queda nos principais insumos da alimentação dos animais, a diária média do confinamento no estado subiu para R$ 13,62 por cabeça, um crescimento de cerca de 3,54% em relação a abril e de 3,57% ante 2025”, aponta o levantamento do Imea.
O problema, conforme o Instituto, está no movimento relacionado principalmente à valorização dos animais de reposição. Entre os pecuaristas consultados, o preço da reposição foi apontado como a principal preocupação, com 23,76% das respostas. O preço do boi gordo apareceu em seguida, citado por 19,80% dos produtores.
O preço do bezerro de 12 meses subiu 13,06% em um ano, aumentando o capital necessário para colocar os animais no confinamento. A valorização do bezerro ocorre em um mercado com menor disponibilidade de fêmeas. O abate dessa categoria recuou 17,11% em julho, indicando retenção de matrizes e contribuindo para a pressão sobre os animais destinados à reposição.
Efeito no custo da arroba produzida
O efeito aparece no custo da arroba produzida, que variou de R$ 220,50 a R$ 235 entre os confinamentos avaliados. As propriedades com até mil cabeças tiveram média de R$ 220,50 por arroba, enquanto aquelas com 3.001 a 5 mil animais chegaram a R$ 235.
Nos grandes confinamentos, com mais de 5 mil cabeças, o custo médio ficou em R$ 223,13 por arroba.
A relação de troca também piorou para quem precisa formar os lotes. Em julho, eram necessários cerca de 2,16 bezerros para comprar um boi gordo, uma queda de 6,09% em relação a relação registrada em 2025.
Ainda de acordo com o levantamento, a arroba alcançou R$ 360,01 em abril, recuou para R$ 312,94 e chegou a R$ 324,17 em julho.
Entregas se concentram no segundo semestre
A pressão sobre a atividade também passa pelo momento de venda dos animais. O Imea estima que 80,74% dos bovinos confinados sejam abatidos até o fim do ano, com 48,31% das entregas previstas entre setembro e novembro.
A concentração ocorre em um período de atenção para o mercado externo, diante do esgotamento da cota de importação de carne bovina da China. A expectativa é de retomada dos embarques no fim de outubro, já considerando a cota de 2027.
Para reduzir a exposição às oscilações da arroba, 33,33% dos produtores consultados utilizaram contratos a termo com frigoríficos. As operações envolveram 17,52% das cabeças projetadas.
Outros 30,23% recorreram a operações na B3, abrangendo 14,44% dos animais. As estratégias permitem estabelecer mecanismos de proteção para o período de comercialização.
Fonte: Canal Rural Mato Grosso (https://matogrosso.canalrural.com.br/pecuaria/boi/confinamento-cresce-43-em-mt-mas-reposicao-mais-cara-limita-avanco/)
