Focos de calor disparam em Mato Grosso e acendem alerta no campo

Produtores rurais de Mato Grosso estão em alerta com o aumento dos focos de calor durante o período de seca e estiagem. Entre janeiro e agosto, o estado registrou mais de 7,4 mil ocorrências, alta de 8,1% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Com a vegetação mais seca e as condições favoráveis à propagação das chamas, a preocupação é evitar que novos incêndios avancem sobre áreas produtivas, pastagens e reservas.
Em Jangada, os efeitos do fogo são sentidos tanto no campo quanto na área urbana. O secretário municipal de Infraestrutura, Maykon Alves dos Santos, afirma que os prejuízos atingem proprietários rurais e também moradores.
“Teve um prejuízo incalculável para muitos proprietários de áreas rurais, até mesmo na zona urbana”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.
Para Maykon, além das perdas materiais, os incêndios provocam impactos ambientais e atingem toda a comunidade. Ele também chama atenção para o comportamento de quem inicia o fogo de maneira irregular.
“Um fogo inconsequente que começa por uma mão inconsequente acaba com esse prejuízo enorme tanto para o meio ambiente, tanto para o produtor. É um prejuízo para todo mundo”, destaca.

Produtores reforçam alerta para áreas próximas às rodovias
A preocupação também faz parte da rotina de quem trabalha com pecuária. Em Campo Verde, o produtor rural Fernando Ferri relembra as perdas provocadas por um incêndio no ano passado, quando 400 hectares de pastagem foram atingidos.
“Na pecuária ano passado tivemos a perda de 400 hectares de pasto, com um fogo que começou na beira da rodovia da MT-140 e andou vários quilômetros por áreas de reservas, de pastagens”, relata ao Patrulheiro Agro.
Agora, com a estiagem, novos focos próximos à região voltam a deixar o produtor em alerta. Ferri afirma que a proximidade de novos focos aumenta o receio de que as chamas novamente cheguem à propriedade. Para ele, as margens das rodovias precisam receber atenção especial durante o período de seca.
“Todos esses focos começam às margens de rodovias e esses focos entram em áreas de reservas e é onde temos maior dificuldade para apagar”, avalia.
O produtor defende uma atuação conjunta entre governo estadual, União, municípios e setor produtivo para melhorar a manutenção dessas áreas. Uma das propostas é permitir que produtores cuidem das faixas próximas às propriedades, com algum tipo de compensação pelos custos de manutenção.
A medida, na avaliação dele, ajudaria a manter as áreas roçadas e limpas e poderia reduzir as condições para que o fogo iniciado às margens das rodovias avance para dentro das propriedades.
Prevenção ganha força durante a estiagem
Com o período seco, o trabalho preventivo passa a ser ainda mais importante para o setor produtivo. O monitoramento das propriedades e a preparação para o combate fazem parte das estratégias adotadas para reduzir os riscos.
Ferri conta que produtores também buscam aperfeiçoar as técnicas de prevenção e manter a articulação com o Corpo de Bombeiros. A intenção é evitar que um foco se transforme em um incêndio de grandes proporções. “Eu estou com todo um trabalho de monitoramento, de aperfeiçoamento de técnicas, com o Corpo de Bombeiros, produtor. A gente trabalha para que isso não aconteça”.
A preocupação dos produtores também envolve as consequências jurídicas relacionadas aos incêndios. A ADPF 743, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu medidas mais rígidas contra incêndios criminosos e desmatamento ilegal.
A perda da propriedade não ocorre automaticamente em razão de qualquer incêndio. A responsabilização depende da apuração e da comprovação de crime ambiental e de responsabilidade pelo ato.
Por isso, Ferri ressalta a importância de registrar as ações de prevenção e a origem do fogo quando o incêndio começa fora da propriedade. Ele cita a necessidade de reunir documentação para comprovar que o produtor não foi responsável pelo foco.
“A propriedade que tiver foco de incêndio, ele tem que contratar hoje um engenheiro, uma ata notarial para provar que aquele fogo que começou muitas das vezes às margens da rodovia não foi ele que colocou”, frisa.
O produtor considera que o avanço do fogo representa perda de produtividade e prejuízo para toda a sociedade. “Onde entra um fogo isso é um atraso para a sociedade, para o meio ambiente”, completa.
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Fonte: Canal Rural Mato Grosso (https://matogrosso.canalrural.com.br/patrulheiro-agro/focos-de-calor-disparam-em-mato-grosso-e-acendem-alerta-no-campo/)
