Plantio da soja começa em setembro com cautela diante do risco climático em MT

O plantio da soja da safra 2026/27 em Mato Grosso será liberado em 7 de setembro e poderá seguir até 7 de janeiro de 2027. A nova temporada começa sob cautela dos produtores diante das incertezas climáticas associadas à possibilidade de atuação do El Niño.
A expectativa é cultivar 13,046 milhões de hectares no estado, alta de 0,25% em relação ao ciclo anterior. Apesar do pequeno avanço na área, a produtividade média projetada é de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43% ante as 66,29 sacas registradas na safra 2025/26.
Com essa estimativa mais conservadora, a produção inicial está projetada em 48,882 milhões de toneladas, recuo de 5,19% em comparação com a temporada passada. O desempenho das lavouras, porém, ainda dependerá da distribuição das chuvas ao longo do ciclo.
Para o produtor Raul Pruinelli, de Terra Nova do Norte, o cenário exige atenção, mas ainda há espaço para otimismo no início da semeadura. “Eu estou, de certa forma, um pouco otimista com o plantio da soja. E aí a orientação é o seguinte, que a gente de fato aproveite a janela, se chover plantar rápido essa soja, porque aí você tem chance de plantar o teu milho mais cedo”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Chuva no início da safra será decisiva
A preocupação de Pruinelli está principalmente na possibilidade de uma redução das chuvas em novembro, período em que a soja já estará em desenvolvimento. Para ele, outro ponto de atenção pode aparecer entre o fim de março e o início de abril, com o encerramento das precipitações afetando a segunda safra.
Segundo o produtor, há indicações de que as chuvas podem ocorrer de forma satisfatória em meados de setembro e também durante outubro. Caso esse cenário se confirme, a largada da soja não deverá enfrentar grandes dificuldades.
O calendário, porém, ainda depende do comportamento das precipitações nas diferentes regiões do estado. A distribuição das chuvas pode definir o ritmo de implantação das lavouras e o desenvolvimento das culturas ao longo da temporada.
O meteorologista Luiz Carlos Molion destaca justamente essa diferença regional. A expectativa é de condições mais favoráveis no oeste do estado, enquanto o leste pode enfrentar demora para a consolidação da estação chuvosa.
“O que a gente espera é que a parte oeste do Mato Grosso não tenha grandes problemas, chuvas normais, mas a parte leste pode ter um atraso no início da estação chuvosa”, explicou em recente passagem por Cuiabá durante palestra sobre a influência do El Niño sobre as chuvas e as condições climáticas na Aprosoja Mato Grosso.

Leste de Mato Grosso pode ter atraso nas chuvas
De acordo com Molion, no oeste as precipitações podem ocorrer de forma regular desde setembro. Já no leste, a chuva pode não se estabelecer plenamente em outubro e ganhar regularidade apenas depois da metade de novembro.
“Mato Grosso é um estado com quase um milhão de quilômetros quadrados, duas vezes o tamanho da França, e tem climas muito diferentes de sul, norte, leste e oeste”, ressaltou o especialista.
A diferença entre as regiões reforça a necessidade de acompanhar as condições locais durante a implantação da safra. Para os produtores, o momento de entrada das chuvas pode ser determinante não apenas para a soja, mas também para o calendário das culturas cultivadas na sequência.
Em Lucas do Rio Verde, a produtora rural Taisa Botton também demonstra cautela com a nova temporada. A preocupação aumenta nas áreas mais arenosas, que apresentam menor capacidade de retenção de água e, por isso, dependem de uma frequência maior de precipitações.
“Nossa área é um pouco mais arenosa. Então para além da dificuldade normal de uma área que costuma produzir e acumula um pouco de água, as nossas áreas têm essa dificuldade que não acumula água, então precisa de mais chuva que o normal”, relata à reportagem.
Produtores reforçam cautela e planejamento
Além do clima, a produtora cita um cenário de maior pressão sobre os custos e a atividade rural, incluindo as mudanças relacionadas à reforma tributária. Nesse contexto, o risco de uma implantação irregular ou de necessidade de replantio aumenta a preocupação.
“Além de termos mais zelo, mais cautela, a gente fica preocupado efetivamente. Não adianta todo o zelo e toda a cautela se no final perder tudo ou sequer nascer”, afirma Taisa.
O planejamento para um possível replantio já faz parte da preparação para a safra. A produtora explica que a experiência de temporadas anteriores ajuda a definir os calendários e manter a estrutura disponível caso seja necessário reimplantar algum talhão.
“O milho é o caixa para quem não sofreu com outro El Niño, que ficou conta pra pagar”, frisa Taisa, ao destacar a importância da segunda safra para o planejamento financeiro da propriedade.
Para Raul Pruinelli, a antecipação do milho também é uma forma de reduzir os riscos diante de uma eventual interrupção das chuvas no fim da temporada. A janela de plantio da soja, portanto, passa a ser observada não apenas pelo impacto sobre a oleaginosa, mas também pelos efeitos sobre o calendário do milho.
Fonte: Canal Rural Mato Grosso (https://matogrosso.canalrural.com.br/agricultura/soja/plantio-da-soja-comeca-em-setembro-com-cautela-diante-do-risco-climatico-em-mt/)
